segunda-feira, 25 de junho de 2012

NANOATIVISTAS PRESENTES AO ENCERRAMENTO DO RIO NANOSUMMIT 2012


ESTE FOI O TIME QUE FUNDOU O OBSERVATÓRIO DE NANOTECNOLOGIA DAS AMÉRICAS. FOTO TIRADA AO FINAL DO EVENTO.

FILA DA FRENTE, DA ESQUERDA PARA A DIREIRA
1 MARIA GRICIA GROSSI / RENANOSOMA / SP
2 ROBERTO ARCURI / CONSULTOR AGRO ECOLOGIA
3 ARLINE ARCURI / RENANOSOMA / SP
4 MARIA DE FATIMA VIEGAS / RENANOSOMA /RJ
5 PAULO R. MARTINS / RENANOSOMA /SP
6 JAYDEE HANSON / INTERNATIONAL CENTER FOR TECHNOLOGY ASSESSMENT /USA
7 TANIA MAGNO / RENANOSOMA /UFS/ SE
8 ANA FENDDLEY / UNITED STEELWORKERS

FILA DE TRAZ DA ESQUERDA PARA A DIREITA

9 GILBERTO ALMAZAN / DIESAT/ SIND MATALURGICOS DE OSASCO /SP
10 JORGE JUNIOR / RENANOSOMA / UFRRJ / RJ
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12 WILLIAN WAISSMANN / FIOCRUS / RJ
13 HENRIQUE KUGLER / CIENCIA HOJE / RJ
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AO FINAL DO I ENCONTRO DOS NANOATIVISTAS DAS AMÉRICAS É CRIADO O OBSERVATÓRIO DE NANOTECNOLOGIAS DAS AMÉRICAS

 



Observatório sobre nanonotecnologia criado na Cúpula dos Povos
Espaço será um ponto de encontro entre os nanoativistas das Américas, divulgando informações e estudos pela internet


Participantes do Rio NanoSummit 2012, realizado dia 18 e 19 durante a Rio + 20 no prédio da Fundacentro/RJ, decidiram criar um Observatório de Nanotecnologias das Américas. A ideia é congregar em um espaço virtual trabalhos realizados por nanoativistas sobre os impactos da nanotecnologia e outras questões que envolvam o tema. A ideia é apresentar textos em português, inglês e espanhol.

“Esse observatório não se limita a saúde do trabalhador. Ele é mais amplo e traz uma multiplicidade de focos”, explica a pesquisadora da Fundacentro, a doutora em química Arline Arcuri. “O que cada um de nós está fazendo será colocado no Observatório e isso fará com que nos articulemos mais em nível internacional”, completa o coordenador da Rede Renanosoma, Paulo Martins.

Durante o evento, foram discutidos temas como a aplicação de nanotecnologias nas áreas de alimentos nos Estados Unidos e a existência de tecnologia para identificar as nanopartículas do ambiente, o que permite realizar estudos para relacioná-las com a prevalência de doenças.

Outra novidade é que os sindicatos dos químicos do estado de São Paulo conseguiram colocar uma cláusula sobre o direito de saber do trabalhador para as indústrias farmacêuticas na Convenção Coletiva da categoria. Dessa forma, os trabalhadores devem ser informados caso haja a utilização de nanotecnologia. A ideia agora é estender a conquista para a área química. Já Fundacentro pretende lançar este ano mais duas histórias em quadrinhos, uma voltada para a indústria construção e outra na área rural.

Três publicações internacionais também foram lançadas no evento: a versão em português do texto Princípios para a supervisão de nanotecnologias e nanomateriais por instituições de diversos países; Implicaciones sociales y ambientales de las nanotecnologias em América Latina y el Caribe pela ReLANS (Red Latinoamericana de Nanotecnologia y Sociedad) e IPEN (The Internacional POPs Elimination Network); e Hacia Rio + 20 – Apuntes para el Debate, da Confederación Sindical de Trabajadores y Trabajadoras de las Américas - CSA.
Fonte: Cristiane Reimberg - Fundacentro

CIENCIA HOJE ON LINE REGISTRA A CRIAÇÃO DO OBSERVATÓRIO DE NANOTECNOLOGIAS DAS AMÉRICAS


Nanotecnologia em debate

Com o objetivo de discutir os impactos da nanociência na sociedade, no meio ambiente e na saúde humana, pesquisadores e ativistas fundam o primeiro Observatório de Nanotecnologias das Américas.
Pesquisas em nanotecnologia seguem a passos largos. “Os avanços na área têm sido assombrosos, especialmente no desenvolvimento de novos materiais, novos fármacos e novos cosméticos”, comenta o químico Daniel Alves, da Universidade Federal do Paraná.
Mas os impactos sociais e ambientais deste novo saber têm sido motivo de preocupação para pesquisadores em diversos países. Por isso, um grupo de cientistas, trabalhadores e ambientalistas se reuniu essa semana, na Cúpula dos Povos, para fundar o Observatório de Nanotecnologias das Américas. É a primeira iniciativa do gênero, com atuação em âmbito continental, dedicada a esse propósito.
“Apesar dos avanços e impactos, as nanotecnologias ainda não são conhecidas pelo público leigo, que, ao final das contas, é quem as consome”, disse o sociólogo Paulo Martins, coordenador da Rede de Pesquisa em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente (Renanosoma).
Segundo o sociólogo, a fundação do Observatório de Nanotecnologias das Américas marca um novo grau de organização para nanoativistas do continente. “Sem dúvida foi o principal avanço que conquistamos”, disse Martins.
Fazem parte da fundação pesquisadores de diversas universidades brasileiras, além de representantes da organização internacional Friends of the Earth (FOE) e do International Center for Technology Assessment (ICTA), entre várias outras parcerias pelo continente afora. Integram o time, também, o Sindicato dos Químicos do ABC e vários grupos de trabalhadores atuantes em diversos setores da indústria.
A ideia do novo observatório é reunir os trabalhos e pesquisas de entidades já atuantes na área. O principal foco do novo portal online – que deverá estar pronto em breve – será a divulgação científica e o engajamento público em nanociência.
Maravilhas do nanouniverso

As promessas da nanotecnologia são sedutoras. Na medicina, por exemplo, já se fala no desenvolvimento de nanoprojéteis capazes de atacar tumores ou mesmo em nanocápsulas que administram um fármaco a determinado tipo de célula – sem efeitos colaterais. No tratamento de câncer de mama, aliás, já é usado com sucesso, há dez anos, um nanomedicamento à base de paclitaxel (substância de origem vegetal).
Quanto aos cosméticos, desde 1995 já há no mercado produtos com princípios nanotecnológicos – filtros solares, antirrugas e cremes variados. Sem mencionar a infinidade de materiais com propriedades quase mágicas que se aproximam de nossa realidade.
Tecidos que nunca mancham, colas superpoderosas, vidros inquebráveis, materiais ultra-resistentes... São vários os exemplos de produtos que, num futuro próximo, poderão estar nas prateleiras dos supermercados.
Mas qual é o problema, afinal?

A manipulação de estruturas tão pequenas – o prefixo nano refere-se à bilionésima parte do metro – envolve riscos. Embora anuncie um novo horizonte para o desenvolvimento científico, a nanotecnologia pode, segundo alguns, significar uma ameaça ambiental sem precedentes, cujas dimensões ainda desconhecemos (o tema, aliás, já rendeu reportagem[HK1] na CH On-line há alguns anos).
“O problema é que a imensa maioria dos nanoprodutos ainda não são regulamentados e chegam ao mercado sem passar por testes de segurança e nanooxicologia[HK2] ”, explica Jaydee Hanson, do ICTA. “Pior: na maioria dos países os fabricantes sequer precisam anunciar no rótulo que determinado produto é derivado de nanoprocessos.”
É o caso do protetor solar, por exemplo. “Se você der um pulo ali na praia de Ipanema, verá pessoas utilizando cremes solares com nanopartículas de dióxido de titânio ou óxido de zinco. Mas o consumidor não sabe disso, pois os fabricantes não mencionam tal informação nas embalagens.”
Segundo Hanson, ainda não há estudos conclusivos que comprovem a segurança destes compostos. Existem indícios, porém, de que o óxido de zinco em escala nanométrica pode desencadear a criação de moléculas instáveis capazes de, eventualmente, interagir com outros grupos celulares e originar processos mutagênicos.
“Como não sabemos ao certo os possíveis efeitos de vários nanoprodutos, gostaríamos apenas de garantir que a indústria só os comercializasse após prévia análise das agências regulatórias”, disse durante o encontro Ian Illuminato, do comitê executivo do FOE. A organização lançou, recentemente, um guia[HK3] para consumidores que queiram se informar melhor sobre o caso específico dos protetores solares.
Hanson lembra que, na Europa, os nanoprodutos estão tendo uma repercussão similar à que teve os organismos geneticamente modificados. “Os consumidores, lá, tendem a rejeitar produtos cujos impactos ainda são desconhecidos; eles parecem levar mais a sério o princípio da precaução”, disse o representante do ICTA.
Também participou do encontro o médico William Waissmann, do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Fundação Oswaldo Cruz. Segundo ele, o maior desafio do momento é que as agências regulatórias desenvolvam rotinas de avaliação para produtos em escala nanométrica.
Waissmann citou um dado estatístico que o preocupa: “para cada 38 trabalhos científicos dedicados ao estudo e desenvolvimento de novos nanoprodutos, temos somente um trabalho com o objetivo de avaliar questões de segurança e toxicidade.”
Ele acrescentou, ainda, que “nanomateriais não-engenheirados sempre existiram na natureza; mas nanomateriais engenheirados, isto é, criados pelo homem, são novidade”. E podem, segundo o pesquisador da Fiocruz, estar relacionados a uma série de doenças e impactos que ainda desconhecemos.
TAGS MEIO AMBIENTE – NANOTECNOLOGIA – RIO+20
Henrique Kugler

Ciência Hoje On-line